Paulo Sant`ana com certeza não é um escritor consagrado. Não existe ritmo e poesia no que ele escreve em relação a outros escritores, porém dia desses, estou a folhear o jornal e li algo que ele escreveu a respeito da dor da ausência. Ele disse que não existe dor maior do que a dor da ausência. Acredito que ele está muito certo.
Ele escreveu também na coluna da Zero Hora, que não há diferença na morte e em deixar de ver pessoas que estão vivas. O sentimento de dor é o mesmo. Pensei no momento, será que ele não está sendo radical no que está dizendo? Só que aí pensei mais um pouco e cheguei a conclusão de que não; ele não está sendo radical. A maneira como a ausência marca é diferente é claro, a morte representa um abismo intransponível em que não é mais possível ver aquela pessoa querida. A separação é diferente, é deixar de se relacionar com aquela pessoa, é romper um vínculo de amor mesmo em vida; é pensar que duas vitalidades deixaram de se encontrar de forma definitiva. Talvez fosse exagero dizer que algo em vida pode ser definitivo; sendo que a vida é repleta de dinamismo e mudanças, mas digamos que isso de fato ocorra; o sentimento é o mesmo.


2 comentários:
A dor da ausencia, a falta que o outro nos faz. Seja essa separação por morte ou por coisas da vida. Não será na verdade uma falta de nós mesmos? Do muito de nós que doamos a essa pessoa e se foi de nós. Que aparenemente se esvaiu no nada. Numa lembrança, num sonho estranho e inexplicavel. Não será o outro dentro de nós que vai desaparecendo com o tempo, tornando-se de uma pessoa em carne e osso e defeitos, num ser idealizado pela distancia e por lembranças efemeras. Normalmente é mais facil amar o que esta longe e inacessivel, do que ter de aturar a realidade concreta e suas rotinas inevitáveis. Sei lá, quero dizer que é mais facil dizer que seu amor de verdade foi aquela menina da escola, seu primeiro amor, do que a nega veia que esta do seu lado nas tempestades da vida.
A ausência é o último estágio para alcançarmos a lembrança. Na minha concepção sentimos primeiro a falta, depois a ausência. Da ausência decorre a lembrança que é um sentimento mais amadurecido livre de qualquer sentimento vil, isso foi muito bem expresso por Carlos Drumond de Andrade no poema chamado Ausência. Ele diz:"porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim."
Cristiano Lautert Jacobsen
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